Guia Prático: Como não errar na Prestação de Contas de Projetos Culturais

Realizar um projeto cultural via edital ou lei de incentivo é a realização de um sonho, mas o trabalho só termina quando a prestação de contas é finalizada. A prestação de contas é o acerto de contas final entre o proponente e o poder público, garantindo que recurso foi utilizado exatamente como prometido na planilha orçamentária.

Muitos artistas e produtores temem essa etapa, mas ela é apenas uma questão de organização. O risco de ignorá-la é alto: desde ficar impedido de captar novos recursos até ter o nome inscrito na dívida ativa e enfrentar processos judiciais.

 

Entendendo a origem do recurso: LPG, LAB, POLITICA NACIONAL ALDIR BLANC (PNAB) E PNAB 2025.

Antes de organizar os recibos, é preciso entender de onde vem o dinheiro, pois as regras mudam:

Leis Paulo Gustavo (LPG) e Aldir Blanc (LAB): São recursos federais, mas executados de forma descentralizada. Aqui, os Municípios e Estados recebem o recurso da União e repassam aos agentes culturais.

Editais Locais: Recursos próprios de prefeituras ou estados que seguem regras específicas de cada secretaria.

 

Passo a passo para uma prestação de contas impecável

A prestação de contas não começa no fim do projeto, mas sim no planejamento. Confira o que você precisa fazer para evitar dores de cabeça:

Organização desde o Dia 1: Guarde cada nota fiscal, recibo e comprovante de transferência. O ideal é ter pastas (físicas e digitais) separadas por categoria (Produção, Marketing, Administrativo).

Relatório de Execução do Objeto: Mais do que números, você precisa provar que o projeto aconteceu. Tire fotos, grave vídeos, guarde prints de redes sociais e matérias de jornal.

Atenção ao Cronograma: Os editais estipulam prazos rígidos. Perder a data de envio pode invalidar todo o seu esforço, mesmo que o projeto tenha sido um sucesso.

Gestão de Sobras: Se sobrou dinheiro, ele deve ser devolvido conforme as instruções do edital. Não utilize o saldo restante sem autorização prévia.

Dica de Ouro: Verifique se o ente federativo (Prefeitura ou Estado) disponibiliza modelos de formulários. Usar o padrão exigido por eles agiliza muito a aprovação.

O que acontece se as contas forem reprovadas?
Se o seu relatório for indeferido, não entre em pânico, mas aja rápido. Geralmente, as inconsistências ocorrem por falta de documentos ou falhas no preenchimento.

Saneamento de falhas: Analise os pontos apontados pelo órgão e apresente a documentação complementar.

 

Conclusão

A transparência é a melhor amiga do produtor cultural. Manter registros financeiros precisos e contar com o apoio de uma assessoria jurídica ou contábil especializada em cultura pode ser o diferencial para que sua carreira continue crescendo sem entraves burocráticos.

 

Neste artigo

Dra. Alessandra Moura

OAB/GO 65357

Advogada, especialista na área previdenciária, DPVAT e Leis Culturais. Sócia Senior no escritório AM Advogados localizado no centro de Caldas Novas – GO. Atua a nível nacional em especial no Estado de Goiás, com Leis Culturais desde 2020 com a publicação da Aldir Blanc I e ll (LAB), Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) Lei n°14.399, Ciclo 01 e PNAB 2025, com vasta experiência em programas culturais como Programa Goyazes, Fica, Canto da Primavera, Claque do Sesc, Lei Paulo Gustavo entre outros.